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sexta-feira, 17 de março de 2017

Como uma ilha caribenha virou o país com maior concentração de membros do EI

Em julho de 2016, a Dabiq, uma revista de propaganda do grupo extremista autodenominado Estado Islâmico (EI) publicou uma longa entrevista com Abu Saad at-Trinidadi.

A publicação apresenta o jovem lutador como "um ex-cristão que se converteu ao Islã e agora é um dos muitos combatentes de Trinidad e Tobago sob a bandeira do Estado Islâmico".
A revista parece não exagerar. Enquanto os relatórios indicam que o número de estrangeiros que migram para se juntar a grupos como Estado Islâmico e Al-Qaeda caiu significativamente no ano passado, a pequena ilha do Caribe não parou de exportar militantes para os extremistas.
Na verdade, Trinidad e Tobago é hoje o maior exportador per capita de combatentes para grupos extremistas do Hemisfério Ocidental. Essa realidade preocupa o governo do país e chama a atenção do presidente americano, Donald Trump.
As razões, dizem os especialistas, são os altos níveis de violência e criminalidade em Trinidad e Tobago, as condições socioeconômicas precárias em setores importantes e a crescente parte da população que abraça a religião muçulmana.

A longa viagem

À revista, Abu Saad at-Trinidadi relata que, depois de se reunir com outros trinitários muçulmanos, eles fizeram contatos e levantaram dinheiro para uma viagem de mais de 9,5 mil quilômetros.
Ele fez uma escala na Venezuela para encontrar sua mulher, e, juntos, partiram para o Oriente Médio em datas não reveladas.
"Sou hoje um dos muitos atiradores de elite do Califado. Regularmente participo com minha equipe de muitas batalhas ferozes contra vários inimigos do Estado Islâmico", disse ele na revista de propaganda.
Relatórios de organizações independentes e governos dizem que, a exemplo de Abu Saad at-Trinidadi e sua esposa, entre 125 e 400 pessoas nascidas em Trinidad e Tobago optaram por se juntar ao Estado Islâmico.
De acordo com o "Índice de Terrorismo Global", publicado pelo Instituto para a Economia e a Paz, apenas os Estados Unidos teriam exportado mais combatentes que Trinidad e Tobago entre os países ocidentais em 2016.
Cerca de 250 americanos se juntaram às fileiras jihadistas. Mas os EUA têm uma população de mais de 320 milhões de pessoas, enquanto a ilha caribenha tem apenas 1,3 milhão, o que a coloca à frente em em proporção per capita.

Por que Trinidad e Tobago?

Segundo Abu Saad at-Trinidadi, 60% dos combatentes do Estado Islâmico de Trinidad e Tobago vêm de famílias muçulmanas, enquanto o restante se converteu do Cristianismo. O Islã é seguido por de 5% a 8% da população da ilha.
John McCoy, professor de ciências políticas na Universidade de Alberta, no Canadá, defende a tese de que o Islã radical em Trinidad e Tobago tem "formas endógenas" que foram alteradas e exploradas por grupos como Al-Qaeda ou Estado Islâmico.
Autor da pesquisa "Extremismo violento cultivado em Trinidad e Tobago: padrões locais, tendências globais", ele acrescenta que "a criminalidade, a violência política, o legado histórico de radicalismo na ilha e a alta taxa de convertidos religiosos" são fatores que influenciam o surgimento de novos jihadistas no país.
Quando McCoy fala de "legado histórico de radicalismo", ele refere-se a episódios como a tentativa de tomar o poder protagonizada por um grupo de muçulmanos em 1990.
Na época, a organização islâmica de 250 pessoas fez uma trincheira no Parlamento de Trinidad, sequestrando ministros, mas a tentativa falhou.
Quando o Estado Islâmico autoproclamou seu califado em 2014, o radicalismo religioso já não era uma novidade em Trinidad e Tobago.
O país declarou sua independência do Reino Unido apenas em 1962 e tornou-se uma república em 1976. Sua população é composta principalmente de descendentes de africanos, indianos, chineses, sírios e libaneses.

Preocupação dos EUA

O Departamento de Estado dos EUA disse à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, que Washington "vê este fenômeno com grande preocupação".
"Enquanto o fluxo de terroristas estrangeiros no Iraque e na Síria diminuiu significativamente ao longo do último ano, nós sabemos que vários cidadãos de Trinidad e Tobago têm viajado para o Oriente Médio para se juntar ao EI desde o início do conflito", afirmou um representante do órgão americano.
O Departamento de Estado disse que os Estados Unidos "apoiam o governo de Trinidad e Tobago em seus esforços para manter seu povo longe do extremismo violento e prevenir a saída futura de combatentes terroristas estrangeiros".
A Casa Branca informou que o presidente Trump teve um contato com o primeiro-ministro de Trinidad, Keith Rowley, em 19 de fevereiro para conversar sobre a "luta contra o terrorismo e o crime organizado internacional".

Os esforços na ilha

"Eu louvo Alá por me dar a oportunidade. Este é realmente um imenso favor dele. Quando fizemos a hijrah (migração ou viagem) pela primeira vez, nós nunca imaginamos que iríamos testemunhar o sonho do Califado se tornar uma realidade. (...) Nunca poderia agradecer a Alá o suficiente por me permitir estar entre os primeiros do nosso povo e tornar esse sonho uma realidade", disse Abu Saad at-Trinidadi à revista.
A entrevista do trinitário não é a única propaganda para recrutar pessoas da ilha. O governo do país está ciente de que o Estado Islâmico vem divulgando outros vídeos de jihadistas "com sotaque caribenho" para atrair mais recrutas do país. E não são apenas soldados.
A autoridades também estão preocupadas com os recursos que deixam a ilha para apoiar as atividades do EI.
Há sempre uma preocupação com o dinheiro que sai de Trinidad e Tobago que poderia estar envolvido com atividades terroristas. Há uma minoria na comunidade muçulmana que está empenhada para cometer esses crimes", disse o ministro da Segurança Nacional, Edmund Dillon, na semana passada.
Já o procurador-geral da ilha afirmou que as viagens a países como a Síria ou o Iraque são controladas, e autorizações especiais são necessárias para conter o êxodo dos futuros combatentes do Estado Islâmico.
Os muçulmanos de Trinidad expressaram raiva em relação a esse posicionamento, porque eles acreditam que as medidas alimentam o estereótipo sobre eles.
Depois de tentativas por parte do governo da ilha de limitar viagens para o Oriente Médio, Imtiaz Mohammed, líder do grupo de missionários islâmicos, ficou conhecido após dizer que a comunidade muçulmana não concorda com as restrições e disse que a maioria dos trinitários viaja para a região por caridade ou religião, e não para se juntar a qualquer grupo extremista.
Ao contrário dos Estados Unidos, a ilha de Trinidad ainda não tem punição por lei a quem participa de organizações extremistas como o Estado Islâmico ou a Al-Qaeda.
Mas a notícia constante de novos viajantes que partem do país para o Oriente Médio levou o Parlamento em pensar em implementar algo assim.
Um dos últimos casos que vieram à tona foi o de oito trinitários que foram presos na Turquia no meio de sua hijrah ao acampamento do Estado Islâmico na Síria. A captura ocorreu três dias antes da publicação da entrevista com Abu Saad at-Trinidadi.

fonte http://www.bbc.com/portuguese/internacional-39225692

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